quarta-feira, 10 de junho de 2015

Sobre Dom Oscar Romero- atualizar a missão profética em nossa vida pastoral.

As contradições no reconhecimento a Dom Romero dentro e fora da Igreja


Em meio ao contexto de beatificação de Dom Óscar Romero, efetivada no último dia 23 de maio, na Arquidiocese de San Salvador, líderes sociais e religiosos divergem quanto ao reconhecimento da luta do salvadorenho durante o período de guerra civil por que passou o país, de 1980 a 1992. Enquanto uns destacam sua figura como a de um importante líder político, outros o conceituam como um mestre religioso. Em ambos os casos, a Teologia da Libertação pode ser vista como permeando o pensamento e as ações de Romero.
Dom Óscar Romero foi beatificado no último dia 23 de maio. 
Essa divisão de visões era ainda mais forte em anos anteriores, inclusive durante o pontificado de João Paulo II (1978-2005), quando havia um grupo de bispos que não estavam de acordo com uma beatificação de Monsenhor Romero. A divergência se suavizou com o tempo e, especialmente, a partir da chegada de Francisco no Vaticano. Contudo, a interpretação sobre o legado de Romero não possui consenso.
Mesmo persistindo as divergências em torno da figura de Monsenhor Romero, na celebração de beatificação do sacerdote salvadorenho não faltou a presença de representantes de várias religiões e igrejas, de diversos países, além de líderes dos mais diversos setores políticos, empresários e donos de grandes veículos de comunicação.
Para discutir a questão, a Adital entrevistou Francisco de Aquino Júnior, presbítero da diocese de Limoeiro do Norte (Ceará), doutor em Teologia pela Universidade de Münster (Alemanha) e professor de teologia na Faculdade Católica de Fortaleza e na Universidade Católica de Pernambuco. Essas contradições respondem ou correspondem a interesses sociais e eclesiais muito concretos, ainda que muitas vezes sutis. "O próprio Romero viveu na pele essas contradições na Igreja e na sociedade salvadorenhas”, destaca Aquino Júnior.

ADITAL - Podemos observar pelo menos duas dimensões que envolvem a beatificação de Monsenhor Óscar Romero: a religiosa e a política. Como explicar cada uma delas no reconhecimento do mártir pela Igreja?

Francisco de Aquino Júnior - A fé cristã diz respeito a todas as dimensões da vida humana: pessoal, social, política, econômica, cultural, religiosa etc. Por isso, um cristão não pode ficar indiferente ao que acontece no mundo. A concentração de bens, a injustiça, a violência, por exemplo, são também problemas de fé porque são uma negação da vontade de Deus neste mundo; são pecados mortais diante dos quais um cristão não pode se curvar, mas tem que lutar contra, mesmo que pague por isso com a própria vida como fez Romero.
Ele não foi assassinado por acaso nem apenas porque estava presidindo uma celebração eucarística. Foi assassinado porque, como Jesus, viveu eucaristicamente, colocou-se do lado dos pobres, defendendo suas vidas frente aos poderes econômicos e políticos de El Salvador, e apoiando suas lutas e organizações. Seu martírio tem, indiscutivelmente, uma dimensão política. Foi assassinado porque viveu evangélica e profeticamente a dimensão política da fé.

ADITAL - É possível separar esses dois aspectos na práxis de Romero em El Salvador?

FAJ - Na verdade, como dizia Romero, "a fé cristã e a ação da Igreja sempre tiveram repercussão sociopolítica. Por ação ou por omissão, pela conivência com um grupo social ou com outro, os cristãos sempre influenciaram na configuração sociopolítica do mundo em que vivem”, embora, nem sempre, de acordo com o Evangelho.
Mas, "quando a Igreja se insere no mundo sociopolítico para cooperar no surgimento de vida para os pobres, não está se distanciando de sua missão nem fazendo algo subsidiário ou supletivo, mas está dando testemunho de sua fé em Deus, está sendo instrumento do Espírito, Senhor e doador da vida”. E se isso vale de alguma forma para toda a Igreja e para todos os tempos, vale de um modo muito particular para a situação concreta de El Salvador, marcada por uma situação extrema de injustiça e violência.

ADITAL - Como o Papa Francisco tem interpretado a contribuição de Romero?

FAJ - A visão que o Papa Francisco tem de Romero está muito ligada à sua concepção e ao seu projeto de "uma Igreja pobre e para os pobres”. Romero foi o bom pastor que deu a vida por seu povo. A Igreja de São Salvador, sob o pastoreio de Romero, assumiu, radicalmente, a causa dos pobres e assim tornou-se ícone/imagem/sacramento de uma autêntica Igreja dos pobres.
Na carta que escreveu ao arcebispo de San Salvador, por ocasião da beatificação de Romero, Francisco afirma que Romero deve ser contado entre "os melhores filhos da Igreja”, fala de sua missão referindo-se à escravidão-libertação do Egito (Êxodo), a Moisés, aos profetas e a Jesus bom pastor, lembra que "seu ministério se distinguiu por uma atenção particular aos pobres e marginalizados”, dá "graças a Deus porque concedeu ao bispo mártir a capacidade de ver e ouvir o sofrimento de seu povo e foi moldando seu coração para que, em seu nome, o orientasse e o iluminasse até fazer de sua ação um exercício pleno da caridade cristã”, e diz que em Romero podemos encontrar "força e ânimo para construir o Reino de Deus, para comprometer-se por uma ordem social mais equitativa e digna”. Romero é testemunha fiel de uma Igreja profética, comprometida com os pobres e com a justiça social.

ADITAL - De que maneira a figura e o legado de Monsenhor Romero é, hoje, utilizada pela Igreja Católica?

FAJ - Depende do grupo a que você se refira. Há grupos que destacam seu compromisso com os pobres e com a justiça social, e sua luta pela transformação da sociedade. Há grupos que falam dele como homem de Igreja e de oração (o que é verdade!), mas silenciando seu compromisso com os pobres e seu conflito com os poderosos, ou falando de sua opção pelos pobres de maneira tão abstrata e genérica que não incomoda ninguém – nem fede nem cheira... Muitos grupos encontram nele inspiração, ânimo e coragem para assumir no tempo e lugar em que vivem as causas e as lutas dos pobres e oprimidos.
Mas penso que a tendência da grande maioria, especialmente de bispos e padres, é uma espécie de "cisma branco”: não vai falar contra (afinal, foi, oficialmente, declarado mártir e beato) ou até vai elogiá-lo, mas, na prática, não o leva a sério (é bonito, é admirável, mas não é pra mim; os tempos são outros...). De uma forma ou de outra, Romero continua incomodando, provocando, convocando... "Não há nada mais revolucionário que o cadáver de um mártir” (P. Casaldáliga); "O sangue dos mártires é semente de novos cristãos” (Tertuliano), sustenta a esperança e anima a resistência aos poderes opressores...

ADITAL - Como a figura e o legado de Monsenhor Romero são, hoje, utilizados em outras religiões e grupos sociais?

FAJ - Isso é muito relativo, como disse anteriormente. Para muitos crentes (de outras Igrejas e de outras religiões), Romero é um homem de Deus, uma testemunha fiel de Jesus Cristo. Nas palavras do mártir Ellacuría: "em Dom Romero Deus passou por El Salvador”, ele foi "um enviado de Deus para salvar seu povo”. Por irônico que pareça, antes que se colocasse um quadro de Romero no Vaticano, a catedral anglicana de Londres [Inglaterra] já o tinha feito desde 2000.
Para outros, que tinham/têm outros interesses e estavam/estão ligados aos grupos do poder, era um comunista ou, na melhor das hipóteses, um ingênuo que se deixou manipular pelos grupos de esquerda. Com Jesus não foi diferente: para uns, ale agia pelo dedo de Deus; para outros, agia pelo poder de Satanás... Em todo caso, seu compromisso com os pobres, com os direitos humanos, com a justiça social expressa o que de melhor, mais espiritual e mais santo as igrejas e religiões têm a oferecer a humanidade e qual deve ser o ponto de encontro ou desencontro entre as igrejas e religiões: a vida do pobre que é a glória de Deus.

ADITAL - Como o sr. avalia o atual contexto político-religioso, no que diz respeito à concretização da beatificação do mártir salvadorenho? Quais as diferenças do contexto do pontificado de João Paulo II?

FAJ - Complexo e ambíguo. Por um lado, vivemos um momento em que não se acredita muito na possibilidade de mudança radical da sociedade. Transformação é uma palavra fora de moda. Na melhor das hipóteses, podemos fazer pequenas reformas. E para os pobres, bolsas... Neste contexto, a figura de Romero não tem muita força...
Por outro lado, a seca eclesial que vivemos nos últimos 30 anos produziu uma igreja voltada pra si mesma, excessivamente devocional, sacramentalista e clerical, cada vez mais distante dos grandes problemas do mundo atual, particularmente dos pobres e marginalizados. Para essa Igreja, Romero diz pouco ou nada. Não por acaso nenhum canal de televisão transmitiu a missa de beatificação de Romero no Brasil e as poucas celebrações que aconteceram tiveram, em geral, uma participação muito pequena – as minorias abraâmicas ou gedânicas...
E, embora Francisco represente uma novidade (tem-se falado muito de uma nova primavera eclesial em referência a João XXIII e ao Vaticano II), não tem, de fato, repercutido muito na dinâmica pastoral da Igreja. "Igreja em saída” até pode ser...; para as "periferias”, nem tanto...; para lutar pela justiça social e pela transformação das estruturas da sociedade, menos ainda... A memória de Romero anima e fortalece o projeto de "uma Igreja pobre e para pobres”, particularmente, no que diz respeito ao compromisso da Igreja na luta pela justiça social, sinal por excelência do reinado de Deus neste mundo.

ADITAL - Além do setor religioso, a luta por justiça social de Óscar Romero ganhou a adesão de setores populares organizados e não organizados, assim como o rechaço de setores direitistas no interior da Igreja Católica, da oligarquia local salvadorenha, das forças armadas e do imperialismo estadunidense. Como cada um desses setores lida, hoje, com o legado do mártir?

FAJ - Uns querem que Romero continue vivo e presente nas lutas do povo e fazem isso se comprometendo, efetivamente, com as causas e lutas populares, e invocando o nome, o testemunho e a memória perigosa e subversiva de Romero: a luta continua!!! Outros querem que Romero seja sepultado, nem que seja nos altares...
E fazem isso dissociando a imagem de Romero das lutas do povo, criando uma imagem espiritualista e desencarnada de Romero – um Romero insosso, que não incomoda, que nem fede nem cheira... – ou, simplesmente, silenciando seu nome, já que não parece bem criticar alguém que foi, oficialmente, proclamado mártir, beato e, em breve, será proclamado santo... O indício mais claro disso é a situação atual da Igreja de El Salvador, particularmente, de suas instâncias de governo: "celebra” Romero, afastando-se cada vez mais das lutas do povo...

ADITAL - Há quem acredite que a beatificação é um reconhecimento a um personagem singular da Igreja, a um "mártir por amor". Já outros a interpretam como um esforço da direita religiosa global, aproveitado pela direita religiosa, midiática e política local, para "domesticar" a figura do Monsenhor, a fazendo regredir a uma segurança da tranquilidade e da ordem das instituições de poder. Como podemos enxergar essas duas visões dissonantes?

FAJ - Sem dúvida nenhuma, há um esforço para "domesticar” a imagem e a memória de Romero dentro e fora da Igreja. Como não foi definitivamente eliminado, é preciso "domesticá-lo”. Sua imagem/memória, como costuma acontecer com os profetas e mártires, é sempre uma ameaça... E se faz isso de uma maneira muito sutil: separando-o dos processos políticos e eclesiais em que estava inserido, desvinculando-o dos movimentos e lutas populares, escolhendo algumas palavras suas mais aparentemente religiosas, estimulando devoção a ele em vez de continuar sua luta hoje... Mas não é fácil "domesticar” Romero. Não é fácil afastá-lo dos pobres e das lutas por justiça social...

ADITAL - Uma terceira visão em torno do reconhecimento de Dom Romero diz respeito à oportunidade de, a partir da figura dele, realizar-se uma política de conciliação de classes, que permita melhorar a estabilidade e a imagem de El Salvador, inclusive, atraindo alguns investimentos. De que maneira isso poderia se dar?

FAJ - Esta seria uma forma de "domesticar” sua imagem. Romero sempre foi um homem do diálogo e da reconciliação, mas não a qualquer preço. Até porque não há verdadeira reconciliação fundada sobre a injustiça. A verdadeira paz, como sempre insistiu, é fruto da justiça. Sem justiça social não há paz verdadeira nem reconciliação verdadeira nem estabilidade verdadeira. Paz, reconciliação, unidade é tarefa, desafio, missão...
Seu fundamento é a justiça social. Seu critério e sua medida são as maiorias populares. E a existência de classes sociais vai ser sempre um pecado. Pobreza-riqueza é pecado porque não significa carência ou fartura de bens, mas concentração nas mãos de uns poucos e negação até das condições materiais básicas de sobrevivência às grandes maiorias. Neste sentido, a chamada "conciliação” de classes é incompatível com o evangelho do Reino que tem como critério e medida a justiça aos pobres e oprimidos deste mundo.

ADITAL - Já uma quarta visão parte do próprio setor progressista da Igreja, que rejeita uma mistificação de Dom Óscar Romero, defendendo sua figura não como santificada, mas como um homem do povo. Proclamá-lo santo seria, ainda, adequar sua práxis ao que esperaria a Igreja, em seus mais altos âmbitos de poder. O que podemos discutir em torno desse olhar?

FAJ - Romero é santo e não devemos [ter] escrúpulo em reconhecer e proclamar isso. É santo porque foi fiel ao Deus de Jesus, entregando sua vida pelos pobres e oprimidos de El Salvador. Reconhecê-lo como santo nos compromete com as mesmas causas que ele assumiu porque significa reconhecer que o caminho que ele seguiu conduz a Deus e nos faz participar de mistério de santidade.
Sem dúvida, é bom e mesmo necessário falar de Romero – sua conversão, seu serviço aos pobres, seu ministério pastoral, sua firmeza e fidelidade proféticas, sua perseguição, seu sofrimento, seu martírio etc. –, recordar e reproduzir suas homílias dominicais, estampar sua imagem em camisetas e quadros e nas igrejas, cantá-lo nas celebrações etc.

Mas o que importa mesmo é atualizar sua missão profética em nossa vida e ação pastoral. Não basta reler suas homílias e cartas pastorais, é necessário reler os sinais dos nossos tempos, com o mesmo espírito evangélico com o qual Romero interpretava sua realidade e reagia ante essa mesma realidade, denunciando, com clareza e radicalidade, as atuais violações dos direitos humanos e favorecendo com todos os meios disponíveis as lutas concretas atuais, pela transformação da realidade no dinamismo do reinado do Deus de Jesus de Nazaré.


Fonte: Adital

segunda-feira, 18 de maio de 2015



Existe uma Casa que abriga a Teimosia e a Esperança.
Ela nem é tão grande assim;
Na verdade ela é do tamanho dos/as que nela encontram abrigo;
 Os pequeninos do Reino.
Ela tem perfume de Profecia;
Sabe? Cheiro de Sonho, de Utopia.
Existe uma Casa que ousa ser fiel aos seus ideais:
 Justiça, Solidariedade e Felicidade.
Nela não falta Pão e água, nem Palavras e nem Abraços...
Em meio a arranha céus ela se faz Tenda:
 Itinerante, Simples e Frágil.
Ela fica num determinado lugar o tempo suficiente:
 Tempo de Ser Acolhida, Conhecer, Formar, Transformar e Celebrar.
Nela as novas relações se tecem, novo homem, nova mulher.
Ela é assim – Caminho e algo mais...
E os que por nela caminham, a chamam carinhosamente de Casa da Partilha.


Estejam convidadas e convidados para nosso próximo encontro da Casa da Partilha...

- Dia 24 de Maio [término da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos].
- Inicio 8:30 com celebração da Comunidade, em seguida seguimos até o salão para dar continuidade ao encontro.
- Local Comunidade Sagrado Coração de Jesus. Rua Marechal Mallet, 112 – Bairro Harmonia - Canoas 

Como chegar:
-Trensurb – Estação Canoas – ônibus integração Harmonia (VICASA), descer em Surdinas Zandoná (R. República com a Clóvis Biviláqua – voltar pela Eça de Queiroz, Carlos Gomes e Marechal Mallet).
-Trensurb – Estação Canoas (descendo à pé – 15 minutos), pegar a Rua Coronel Vicente, Saldanha da Gama, Coronel Camisão, Marechal Mallet.
-Porto Alegre (empresa VICASA - Viaduto da Conceição), descer em Surdinas Zandoná (R. República com a Clóvis Biviláqua – voltar pela Eça de Queiroz, Carlos Gomes e Marechal Mallet).
-Centro de Canoas (lado direito do trensurb), empresa SOGAL, Linha Vila Cerne, descer na parada 42.
-Centro de Canoas (lado direito do Trensurb), empresa SOGAL, Linha Porto Belo, descer na parada 42.

- Contato: Fr. Wilson – 9991-1668 ou Secretaria – 34722883


*O almoço será oferecido pela comunidade.

- Nesse dia também haverá o sorteio das rifas da arquidiocese [não esquecer de levar os bloquinhos vendidos e quem se responsabilizou com os prêmios].

Com Coragem e Ousadia, 
Há-Braços!

domingo, 8 de março de 2015


#8deMarço

Obrigada pela ousadia:
Ousadia que vence os medos
Ousadia que vence a rotina
Ousadia que vence a introgeção.
Ousadia das palavras
Ousadia das atitudes
Ousadia dos gestos.
Ousadia que supera o preconceito,
Rompe barreiras
Abre horizontes.
Ousadia de questionar,
Provocar, inquirir, repreender,
Interpelar, sugerir, antecipar,
Sair às ruas, ao encontro.
Ousadia que atenta falar de teologia,
Proclamar a fé
Ocupar espaços
Assumir liderança
Inventar o novo.

Tea Frigério

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

38ª Romaria da Terra e 10° Acampamento das Juventudes do Campo e da Cidade.


Se ao povo de Abraão a terra tão esperada foi oferecida na promessa de Deus “Eu darei esta terra à sua descendência”, aos romeiros e romeiras de hoje, o compromisso se renova a cada ano. Marcada pela luta contra as injustiças e em busca da vida abundante aos pequenos da terra, a 38ª Romaria da Terra do Rio Grande do Sul reuniu milhares de pessoas nesta terça-feira, 17, em David Canabarro.

Solo sagrado, terra mãe de resistência, a cidade é marcada essencialmente pela agricultura familiar, realidade também de muitos locais da Arquidiocese de Passo Fundo, que conta com muitas iniciativas semelhantes e foi ventre e berço de diversos movimentos sociais e políticos ligados à luta pela terra.

Refletindo o tema Sucessão rural familiar, políticas públicas e sustentabilidade social, a romaria reuniu certa de 12 mil romeiros e romeiras engajados no compromisso de transformação social. Caminhando cerca de 2 km da paróquia Sagrada Família ao Módulo Esportivo Municipal, os romeiros denunciavam as diversas situações de morte dos povos da terra e anunciavam experiências promotoras de vida.




Carta do 10° Acampamento das Juventudes e  38° Romaria da Terra do RS




A 38ª Romaria da Terra e o 10º Acampamento da Juventude são frutos de meses de trabalho nas comunidades e nos movimentos, envolvendo inúmeras entidades, entre elas mais de 15 organizações juvenis, pastorais e movimentos do campo e da cidade. Para o enriquecimento da caminhada ecumênica, fizeram-se presente também os irmãos e as irmãs da Pastoral Popular Luterana. Embalados pelo dinamismo do Espírito de Deus, que nos chama sempre de novo a continuar na construção da justiça e da paz, da Terra Sem Males, de Um Outro Mundo urgentemente Necessário e Possível, da Civilização do Amor, da Cultura de Paz e do Bem-Viver.

Nesse espírito, nos dias do carnaval de 2015, de 15 a 17 de fevereiro, em torno de 500 jovens do Rio Grande do Sul e também de Santa Catarina, estiveram reunidos no módulo esportivo municipal de David Canabarro, juntando-se aos demais milhares de Romeiros e Romeiras, compromissados/as com os valores e as causas da “Sucessão Rural Familiar, Políticas Públicas e Sustentabilidade Social”, que garantam que a Terra seja um dom para a vida e não objeto para negócio, como disse Deus a Abraão “Eu darei esta terra à sua descendência” (Gn 12,7) e que Sepé reafirmou na luta do povo índio contra a ocupação imperialista, bradando “Alto lá! Esta terra tem dono!”

Os/as Romeiros/as do 10º Acampamento da Juventude foram acolhidos/as com entusiasmo por uma equipe de jovens desde a madrugada do domingo, que prepararam com muito trabalho e amor, o espaço para o Acampamento e a Romaria. Logo todas as delegações se integraram e, com vibrante energia e alegria, com palavras de ordem, canções diversas e muito debate, foram reafirmando a disposição de serem sujeitos protagonistas de uma nova sociedade, justa, solidária, equitativa, plural e ecológica.

Refletimos sobre a realidade, ouvimos os clamores que brotam das mais diversas situações de exploração e opressão, geradas pelo sistema capitalista, sobretudo na presente fase neoliberal. Procuramos compreender os desafios que nos são colocados, aprofundando o processo de transformação, para que haja vida digna e abundante para todos e todas.

Neste debate percebemos que vários projetos estão em disputa. Todos se apresentam como caminhos de felicidade. Numa época em que vivemos muitas mudanças, ou mesmo uma mudança de época, precisamos compreender e discernir o que defende a vida, colocando no centro o respeito ao ser humano e à vida na Terra. Faz-se necessário resgatar os saberes tradicionais e populares libertadores de tantos povos, que até hoje resistem e ensinam valores fundamentais dos quais não se pode abrir mão.

A partir desta reflexão, celebrou-se em comunhão com as mais variadas expressões de fé, de organização popular e realidades juvenis, resgatando a caminhada das Romarias da Terra e dos Acampamentos das Juventudes. Dessa forma, foram consolidados e reafirmados os seguintes compromissos, como sinal de renovação da Aliança do povo com o Deus da Vida:

- Denunciar o sistema capitalista como intrinsecamente perverso, pois sua lógica de acumulação a qualquer preço, movido pela ganância, gera as divisões sociais, exploração, opressões diversas, sofrimento e morte.

- Defesa da democracia e do direito do povo brasileiro escolher o seu caminho.

- Lutar contra a privatização dos serviços públicos.

- Combater a desmoralização, a criminalização e a repressão dos Movimentos Sociais Populares e suas causas.

- Retomar e aprofundar a defesa da Reforma Agrária, condição inclusive para avançar na agroecologia e na agricultura familiar e camponesa.

- Denunciar o agronegócio como um sistema que tem como lógica o lucro e se sustenta na exploração do trabalho e dos recursos naturais, em contradição com a lógica da agricultura familiar e camponesa.

- Defender os diversos sistemas da biodiversidade e fortalecer a luta contra os agrotóxicos e as sementes transgênicas, valorizando um modelo de produção e consumo saudáveis, pelas práticas da agroecologia, sem ter medo de mudanças.

- Exigir políticas públicas para a produção, distribuição e consumo agroecológico, incluindo o apoio à transição de modelos.

- Fortalecer a política como a ação em favor do bem comum, essencial nos processos de mudança da realidade, e como uma forma eficaz de amor ao próximo.

- Investir no fortalecimento do trabalho de base e na aproximação dos explorados e excluídos.

- Lutar pela equidade de gênero reconhecendo o protagonismo das mulheres, sua participação nos espaços de poder e decisão de nossa sociedade.

- Garantir uma educação do campo e na cidade que valorize as especificidades do espaço geográfico e ao mesmo tempo implemente as políticas de educação inclusiva, de gênero e não-sexista.

- Respeitar e considerar justa toda forma de AMOR.

- Defender políticas públicas substantivas para a população trabalhadora, em especial para a juventude através de um processo de trabalho de base permanente.

 - Assegurar a participação da juventude e da população trabalhadora nos espaços de construção das políticas públicas e do controle social do Estado.

- Exigir o compromisso do congresso com o Plebiscito oficial por uma Constituinte Exclusiva e Soberana pela Reforma do Sistema Político.

- Construir novos espaços de formação permanente sobre a questão de gênero, envolvendo homens e mulheres, na perspectiva de superação de todas as formas de patriarcalismo, sexismo, machismo e violências contra as mulheres em todos os espaços da vida.

- Investir em formas de comunicação para garantir o direito fundamental à informação, que nos convoca ao engajamento na luta pela democratização dos meios de comunicação.

- Promover um processo de conscientização referente à demarcação das terras indígenas e quilombolas e o direito de produção dos pequenos agricultores. Considerando que tanto os pequenos agricultores, quanto os indígenas e quilombolas são vítimas do colonialismo, sendo que a união de suas forças é necessária para a garantia do acesso à Terra e às suas justas indenizações.

- Denunciar e combater a violência e o extermínio das Juventudes em especial da juventude pobre, negra e marginalizada.

- Exigir uma política nacional que reconheça os direitos dos atingidos pela construção de barragens. Lutar contra a construção de novas barragens, como a de  Garabi e a de  Panambi, pois queremos “águas para a vida e não águas para a morte”.

Animados e encorajados por tantas testemunhas que doaram suas vidas por estas causas, e, inspirados pelas palavras do Papa Francisco no encontro com os movimentos populares, que reafirma que “O amor pelos pobres está no centro do Evangelho” e que “Terra, teto e trabalho são direitos sagrados”. Acreditamos no Reino de Deus, cuja plenitude só se realizará quando não houver “nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos”. Renovamos o desejo de que os bons frutos desta Romaria da Terra possam repercutir na vida de todas as nossas Comunidades de fé e de luta.



David Canabarro, 17 de fevereiro de 2015.




Fonte: Arquidiocese de Passo Fundo.

Casa da Partilha: Pelo Reino aqui e agora- [Re]Ver e [Re]Organizar nossa Missão.




Aos Companheiros e As Companheiras,


10° Acampamento da Romaria da Terra do RS
    Não nos é permitido desistir!  Nós que fomos tocados/as de uma maneira mística e revolucionária pelo Reino de Deus não podemos abandonar nossas lutas, muitas são as forças contrarias que nos desanimam, mas o desejo pelo bem comum deve ferver nosso sangue.
  Esse desejo do bem comum deve nos levar a retomar nossa organização, nossa atuação e caminhada... E esse ano de 2015 já inicia exigindo um olhar atento pra nosso povo e nossa sociedade e é isso que nossa igreja nos pede na Campanha da Fraternidade desse Ano com o tema Fraternidade: Igreja e Sociedade e o Lema, Eu vim para servir.
  Por isso, com esperança na união e construção comunitária convidamos as lideranças das comunidades eclesiais, agentes comunitários, jovens e assessores/as da PJ, movimentos juvenis, agentes políticos, irmãos e irmãs de outras igrejas que comungam das mesmas esperanças a somar seus sonhos aos nossos sonhos na construção do Outro Mundo Possível durante nossa próxima reunião da Casa da Partilha e nos ajudar na construção do 28° Encontro Arquidiocesano de CEBs que acontecerá em novembro com o tema: CEBs- Fermento de Transformação da Sociedade e Lema: Povo de Deus, Dialogando com as Realidades a Serviço da Vida.

38° Romaria da Terra do RS
     A “Casa da Partilha” é o lugar onde se vivencia a experiência criadora das comunidades na Arquidiocese de Porto Alegre. É um espaço democrático onde se partilha fraternalmente a CAMINHADA DAS CEBs dos Vicariato, da Arquidiocese, do RS e do Brasil.

É o local de referência, instância pastoral e eclesial, onde se veiculam as informações e se decidem coletivamente as questões que dizem respeito às CEBs, bem como se planeja, programa e organiza as questões práticas dos Encontros Intereclesiais e da vida das CEBs. 
Nesse encontro se reúnem as lideranças das CEBs do Vicariato para trocar experiências comunitárias, fortalecer a espiritualidade libertadora, se capacitar e de reafirmar o compromisso com uma Igreja Profética e Missionária, sinal e testemunha do Reino de Deus. “Comunhão de vida” dos que sonham com uma Igreja que nasce da fé do Povo simples e da “base social” mais pobre da sociedade.

38° Romaria da Terra do RS


 Encontro da Casa da Partilha

Quando: 22 de fevereiro ás 13h45m
Onde: Comunidade Sagrado Coração de Jesus
Endereço: Rua Marechal Mallet, 112 – Bairro Harmonia - Canoas

Como chegar:
-Trensurb – Estação Canoas – ônibus integração Harmonia (VICASA), descer em Surdinas Zandoná (R. República com a Clóvis Biviláqua – voltar pela Eça de Queiroz, Carlos Gomes e Marechal Mallet).
-Trensurb – Estação Canoas (descendo à pé – 15 minutos), pegar a Rua Coronel Vicente, Saldanha da Gama, Coronel Camisão, Marechal Mallet.
-Porto Alegre (empresa VICASA - Viaduto da Conceição), descer em Surdinas Zandoná (R. República com a Clóvis Biviláqua – voltar pela Eça de Queiroz, Carlos Gomes e Marechal Mallet).
-Centro de Canoas (lado direito do trensurb), empresa SOGAL, Linha Vila Cerne, descer na parada 42.
-Centro de Canoas (lado direito do Trensurb), empresa SOGAL, Linha Porto Belo, descer na parada 42.

Contato: Fr. Wilson – 9991-1668 ou Secretaria – 34722883



Com as Bençãos das Mães e Pais do passado e a Força Renovadora das Juventudes.
Coragem e Ousadia!