sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Carta do Papa



[DIOCESE DE CRATO, 7-11 DE JANEIRO DE 2014]




 
Queridos irmãos e irmãs,

É com muita alegria que dirijo esta mensagem a todos os participantes no 13º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base, que tem lugar entre os dias 7 e 11 de janeiro de 2014, na cidade de Juazeiro do Norte, no Ceará, sob o tema “Justiça e Profecia a Serviço da Vida”. Primeiramente, quero lhes assegurar as minhas orações para que este Encontro seja abençoado pelo nosso Pai dos Céus, com as luzes do Espírito Santo que lhes ajudem a viver com renovado ardor os compromissos do Evangelho de Jesus no seio da sociedade brasileira. De fato, o lema deste encontro “CEBs, Romeiras do Reino, no Campo e na Cidade” deve soar como uma chamada para que estas assumam sempre mais o seu importantíssimo papel na missão Evangelizadora da Igreja. Como lembrava o Documento de Aparecida, as CEBs são um instrumento que permite ao povo «chegar a um conhecimento maior da Palavra de Deus, ao compromisso social em nome do Evangelho, ao surgimento de novos serviços leigos e à educação da fé dos adultos» (n. 178). E recentemente, dirigindo-me a toda a Igreja, escrevia que as Comunidades de Base «trazem um novo ardor evangelizador e uma capacidade de diálogo com o mundo que renovam a Igreja» mas, para isso, é preciso que elas «não percam o contato com esta realidade muito rica da paróquia local e que se integrem de bom grado na pastoral orgânica da Igreja particular» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 29). Queridos amigos, a evangelização é um dever de toda a Igreja, de todo o povo de Deus: todos devemos ser romeiros, no campo e na cidade, levando a alegria do Evangelho a cada homem e a cada mulher. Desejo do fundo do meu coração que as palavras de São Paulo: «Ai de mim se eu não pregar o Evangelho!» (1Co 9,16) possam ecoar no coração de cada um de vocês! Por isso, confiando os trabalhos e os participantes do 13º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base à proteção de Nossa Senhora Aparecida, convido a todos a vivê-lo como um encontro de fé e de missão, de discípulos missionários que caminham com Jesus, anunciando e testemunhando com os pobres a profecia dos “novos céus e da nova terra”, ao conceder-lhes a minha Bênção Apostólica.

Vaticano, 17 de dezembro de 2013.

Franciscus.



FONTE: Vaticano

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Carta do 13° Intereclesial

Irmãos e Irmãs de caminhada, estamos de volta!

Na alegria do Senhor caminheiro de Nazaré, da Mãe das Dores e das Candeias e do Padim Padre Cicero, nós delegados e delegadas do Rio Grande do Sul voltamos reavivados do 13° Intereclesial de CEBs ocorrido em Juazeiro do Norte- Ceará.
Fiquem ligados nos próximos dias vamos postando fotos, depoimentos dos romeiros e romeiras e mais informaçoes sobre o encontro. E pra começar segue abaixo a Carta Final do encontro.

Coragem e Ousadia!




Irmãs e irmãos da caminhada,

“Maria pôs-se a caminho ... entrou na casa e saudou Isabel ... bem aventurada tu que acreditaste ... as crianças estremeceram de alegria no ventre ...” (cf. Lc 1,39-45)

Em atitude romeira, o povo das Comunidades Eclesiais de Base de todos os cantos do Brasil colocou-se a caminho respondendo ao chamado da grande fogueira acesa pela Diocese de Crato-CE, convocando para o 13º Intereclesial. A luz da fogueira alumiou tão alto que fez acorrer representantes de Igrejas irmãs evangélicas e de outras religiões. Até foi avistada em toda a América Latina e Caribe, Europa, África e Ásia.
O Cariri, “coração alegre e forte do Nordeste”, se tornou a “casa” onde se encontraram a fé profunda do povo romeiro, nascida do testemunho do padre Ibiapina e do padre Cicero, da beata Maria Madalena do Espírito Santo Araújo e do beato Zé Lourenço, com a fé encarnada do povo das CEBs nascida do grito profético por justiça e da utopia do Reino.
Houve um encontro entre a Religiosidade popular e a Espiritualidade libertadora das CEBs. As duas reafirmaram seu seguimento de Jesus de Nazaré, vivido na fé e no compromisso com a justiça a serviço da vida.
Bem aventurado o povo que acreditou!
A moda da viola e da sanfona cantou este acreditar. As palavras de dom Fernando Panico, bispo de Crato, na celebração de abertura confirmaram este acreditar, proclamando: as CEBs são o jeito da Igreja ser. As CEBs são o jeito “normal” da Igreja ser. Jeito normal de o povo de Deus responder no hoje à proposta de Jesus: ser comunidade a serviço da vida.
Ao ouvir a proclamação desta boa noticia, o ventre do povo que veio em romaria para Juazeiro do Norte ficou de novo grávido deste sonho, desta utopia. A esperança foi fortalecida. A perseverança e a resistência na luta foram confirmadas. O compromisso com a justiça a serviço do bem-viver foi assumido.
E a alegria estourou como fogos a vista e do meio da alegria escutamos a memória da voz querida de dom Helder Câmara, a se fazer ouvir: Não deixem a profecia cair! Não deixem a profecia cair!
A profecia não caiu. Ecoou nas palavras do índio Anastácio: “Roubaram nossos frutos, arrancaram nossas folhas, cortaram nossos galhos, queimaram nossos troncos, mas não deixamos arrancar nossas raízes.” Raízes indígenas e quilombolas que afundam na memória dos ancestrais, no sonho de viver em terras demarcadas, livres para dançar, celebrar e festejar a terra que é mãe.
Emergiu a memória do padre Ibiapina, que já incentivava a construção de cisternas de pedra e cal e o plantio de árvores frutíferas, para conviver com a realidade do semiárido. Reanimava assim a esperança e a dignidade do povo sertanejo. O protagonismo da beata Maria Araújo canalizou os desejos mais profundos de vida e vida em abundância, o que incomodou os grandes e a hierarquia eclesiástica. O padre Cícero e o beato Zé Lourenço continuaram acolhendo os excluídos no mesmo espirito de Ibiapina. Organizaram a comunidade do Caldeirão movida pela fé, trabalho, fartura e liberdade. Esta forma de convivência com o semiárido tem continuidade nas CEBs, nas pastorais e entidades comprometidas com os pobres,
A profecia ecoou na análise de conjuntura, que levou a constatar que o Brasil ainda precisa reconhecer que no campo e na cidade, não basta realizar grandes projetos. O grande capital prioriza o agro e hidronegócio e as mineradoras, continuando a expulsar do campo para concentrar as pessoas nas cidades, tornando-as objeto de manipulação e exploração, de concepções dominadoras e produtoras de profundas injustiças. O povo continua sendo despojado de sua dignidade: seus filhos e filhas definham no mercado das drogas e no tráfico de pessoas; é destituído de seus direitos à saúde, educação, moradia, lazer; a juventude é exterminada, obscurecendo a possibilidade de se projetar no futuro por falta de oportunidades; ainda existem preconceitos e outras violências marcam as relações de etnia, cor, idade, gênero, religião. Percebemos que transformar os cidadãos e cidadãs em consumidores é ameaça para o “Bem Viver”.
Ranchos (miniplenários) e chapéus (grupos) tornaram-se espaços de partilha das experiências de busca para compreender a sociedade que é o chão onde as CEBs labutam e vivem.
E nos passos de padre Cícero, as CEBs se tornaram romeiras nas veredas do Cariri, conhecendo realidades e comunidades; vivenciando a firmeza dos mártires e profetas; experimentando a partilha e a festa do jeito que o povo nordestino sabe fazer.
A sabedoria dos patriarcas e das matriarcas nos acompanhou resgatando a memória e orando: “Só Deus é grande”, “Amai-vos uns aos outros”.
A grandeza de Deus se revela nos romeiros, povo sofrido que ao assumir a organização da romaria, na prática da solidariedade, na reza e no canto dos benditos se torna protagonista e ressignifica o espaço da vida diária.
O amor é manifestado na profecia da mulher que no acariciar, no amassar o pão, na liderança e revolução carrega em seu ventre nossa libertação; na profecia que por amor à justiça se torna ecumênica; em Jesus de Nazaré que por primeiro viveu a justiça e a profecia a serviço da vida e nos desafia a sermos CEBs Romeiras do Reino no campo e na cidade.
A vivência comunitária no terreiro do semiárido renovou nosso acreditar. Exultamos de alegria como as crianças que saltaram de alegria no ventre das mães vislumbrando o novo. O Reino se fez presente no meio de nós. Seus sinais estão presentes na irmandade: oramos e refletimos, reavivamos à nossa frente rostos de mártires e profetas da caminhada, refletimos e debatemos, formamos a mesma fila para comer juntos a gostosa comida do Cariri, à mesma pia lavamos nossos pratos. Na circularidade do serviço, do canto, do testemunho reafirmamos o compromisso de ser CEBs: Romeiras do Reino, profetas da justiça que lutam pela vida, a serviço do bem-viver, sementes do Reino e da sua Justiça, comunidades profetas de esperança e da alegria do Evangelho.
Romeiros e romeiras sempre voltam para seu chão, repletos de fé e esperança. Nós também voltamos como romeiros e romeiras grávidos da utopia do Reino que é das CEBs. Voltamos para nosso chão, com uma mensagem do papa Francisco, bispo de Roma e Primaz na Unidade. Dele recebemos reconhecimento, encorajamento, convite a continuarmos com pisada firme a caminhada de sermos Igreja Romeira da justiça e profecia a serviço da vida.
Juntamo-nos à voz de Maria que louvou ao Deus da vida que realiza suas maravilhas nos humilhados. Unamos nossas vozes á sua para com ela derrubar os poderosos de seus tronos e elevar os humildes, despedir os ricos de mãos vazias e encher de fartura a mesa dos empobrecidos.

Irmãs e irmãos, vos abraçamos com amorosidade. Amém, Axê, Auerê, Aleluia!

Fonte: CNBB

terça-feira, 12 de novembro de 2013


Solenidade de posse de Dom Jaime Spengler.



Convite

Comunidades Eclesiais de Base -CEBs - Casa da Partilha 

CASA DA PARTILHA:
- Espaço eclesial e democrático onde se “partilha” fraternalmente a CAMINHADA DAS CEBs da Arquidiocese de Porto Alegre, do RS e do Brasil;
- “Local de referência” onde se veiculam as informações que dizem respeito às CEBs, se debate e se ilumina coletivamente as questões que dizem respeito às Comunidades que fazem opção pelos pobres;
- “Comunhão de vida” dos que sonham com uma Igreja que nasce da fé do Povo simples e da “base social” mais pobre da sociedade.
- Instância pastoral e eclesial para decidir questões que dizem respeito ás CEBs da Arquidiocese de Porto Alegre, bem como planejar, programar e organizar questões práticas dos Encontros Intercelesiais e da vida das CEBs.

PRIMEIRO ENCONTRO
NA REDE DE COMUNIDADES SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS
Data: 17 de novembro de 2013
Horário: 14:00 às  17:30 hs 
Local: Comunidade Sagrado Coração de Jesus
Endereço: Rua Marechal Mallet, 112 – Bairro Harmonia - Canoas 
Como chegar:
v Trensurb – Estação Canoas – ônibus integração Harmonia (VICASA), descer em Surdinas Zandoná (R. República com a Clóvis Biviláqua – voltar pela Eça de Queiroz, Carlos Gomes e Marechal Mallet).
v Trensurb – Estação Canoas (descendo à pé – 15 minutos), pegar a Rua Coronel Vicente, Saldanha da Gama, Coronel Camisão, Marechal Mallet.
v Porto Alegre (empresa VICASA - Viaduto da Conceição), descer em Surdinas Zandoná (R. República com a Clóvis Biviláqua – voltar pela Eça de Queiroz, Carlos Gomes e Marechal Mallet).
v Centro de Canoas (lado direito do trensurb), empresa SOGAL, Linha Vila Cerne, descer na parada 42.
v Centro de Canoas (lado direito do trensurb), empresa SOGAL, Linha Porto Belo, descer na parada 42.
Contato: Fr. Wilson – 9991-1668 ou Secretaria – 34722883

Pauta:
1)   Acolhida e Celebração de abertura (Rede de Comunidades SCJ)
2)   Contexto Social e Eclesial do Vicariato de Canoas (Ir. Cleusa)
3)   Contexto Social e Eclesial da Rede de Comunidades SCJ (Maria Noeli e Coordenação do Conselho de Pastoral das Comunidades)
4)   Síntese do 27º Encontro Arquidiocesano de CEBs (Waldir e Carlos)
5)   Prestação de Contas do 27º Encontro de CEBs (Equipe de Finanças)
6)   Relatos da Ampliada Estadual de CEBs e dos preparativos para o 13º Encontro Intereclesial de CEBs (Ampliada Estadual)
7)   Programação dos Encontro da Casa da Partilha (Rede de Comunidades Sagrado Coração de Jesus)
           
A Casa de Partilha somos nós, num grande mutirão. Sintam-se, desde já, acolhidos carinhosamente.
    
Canoas, 13 de setembro de 2013
Festa de São João Crisóstomo

Um abraço fraterno

Frei Wilson Dallagnol – Animador da Rede SCJ
Maria Noeli Borges Flores – Coordenadora do

Conselho de Pastoral das Comunidades